Lead Time – Muito além do prazo de entrega

No artigo anterior falamos sobre o indicador de OEE (OverallEquipment Effectiveness), ou Eficiência Global dos Equipamentos, e suas três perspectivas: Disponibilidade, Performance e Qualidade.

Vimos como esse indicador ajuda a identificar oportunidades de melhoria sem olhar apenas para a eficiência da produção.

Hoje vamos conhecer outro indicador extremamente importante e que está presente em praticamente qualquer processo: o Lead Time.

Embora muitas pessoas associem esse indicador apenas ao prazo de entrega de um produto, ele pode ser utilizado para medir o tempo de execução de qualquer atividade, seja na indústria, na logística, na manutenção ou até mesmo em processos administrativos.

O que é Lead Time?

Quanto tempo sua empresa leva para resolver um problema?

Pode ser fabricar um produto, entregar um pedido, atender um cliente ou executar uma solicitação da manutenção.

Independentemente da atividade, existe uma pergunta que sempre deveria ser feita:

Quanto tempo esse processo leva do início ao fim?

É exatamente isso que o Lead Time mede.

O Lead Time representa o tempo total necessário para que um processo seja concluído, desde o momento em que ele é iniciado até sua finalização.

Esse conceito surgiu antes mesmo das metodologias modernas de gestão, sendo utilizado há muitos anos na administração da produção. Entretanto, foi com o Lean Manufacturing e o Sistema Toyota de Produção que o Lead Time ganhou grande destaque, tornando-se uma das principais métricas para identificar desperdícios, reduzir esperas e aumentar a velocidade dos processos.

Como calcular o Lead Time

Antes de calcular qualquer indicador, precisamos definir exatamente onde o processo começa e onde ele termina.

Esse conceito é o mesmo que discutimos no artigo "Antes de Melhorar, Entenda o Seu Processo". Sem essa definição, diferentes pessoas podem medir processos diferentes e chegar a resultados completamente distintos.

Depois de definido o início e o fim do processo, basta calcular:

Lead Time = Data/Hora Final − Data/Hora Inicial

Parece simples, mas a maior dificuldade normalmente não está na conta e sim em definir corretamente os limites do processo.

Exemplo Industria:

Imagine a produção de uma bebida com as seguintes etapas: 
Preparação da Bebida → Enchimento da Embalagem → Formação dos Pacotes → Paletização → Estoque.
Se a Preparação iniciou às 10:30 e o produto chegou no estoque às 11:43 temos: 
Lead Time = 11:43 – 10:30 = 1 hora e 13 minutos
Isso significa que foram necessários 1 hora e 13 minutos para produzir um palete de bebidas.
Um detalhe importante é definir exatamente o que está sendo medido. Podemos calcular o Lead Time de uma garrafa, de um pacote, de um palete ou até mesmo de um lote inteiro. O importante é que essa definição seja feita antes do início da medição.

Exemplo Logística:

Agora imagine o processo de atendimento de um pedido:
Receber Pedido → Processamento → Carregamento → Transporte → Entrega.
Se o pedido é recebido no dia 01/10 às 08:45 e é entregue para o cliente no dia 04/10 às 10:00 temos.
Dias completos: 72 horas;
Horas adicionais: 1 hora e 15 minutos
Lead Time Total = 73 horas e 15 minutos
Ou seja, foram necessários pouco mais de três dias para concluir todo o processo de atendimento.

Exemplo Serviços:

Em uma loja podemos ter o seguinte fluxo:
Chegada do Cliente → Espera → Atendimento → Saída.
Se o cliente chegas às 12:05 e sai às 12:56 temos.
Lead Time = 51 minutos
Isso é significa que demoramos 51 minutos para atender o cliente.
Observe que o Lead Time considera todo o tempo do processo, inclusive o tempo de espera

Lead Time está em qualquer processo

Muitas pessoas acreditam que Lead Time existe apenas na produção ou na logística.

Na prática, qualquer atividade que tenha um início e um fim pode ser medida utilizando esse indicador.

Exemplos:

- Tempo para a manutenção atender uma solicitação da produção;
- Tempo para o RH concluir um processo de contratação;
- Tempo para responder um chamado de TI;
- Tempo para aprovar um orçamento;
- Tempo para desenvolver um novo produto;
- Tempo para responder uma reclamação de um cliente.

Imagine que a produção solicite uma melhoria para a manutenção.

A solicitação foi aberta no dia 01/06, mas o serviço só foi concluído no dia 30/06.

O Lead Time foi de 29 dias.

Entretanto, ao analisar o trabalho, percebe-se que o reparo levou apenas 4 horas para ser executado.

Os outros 28 dias e 20 horas foram consumidos por filas, aprovações, espera por peças ou indisponibilidade da equipe.

É justamente esse tipo de análise que torna o Lead Time um indicador tão poderoso.

Analisando cada etapa do processo

Além do Lead Time total, também podemos medir o tempo de cada etapa individualmente.

Exemplo:
- Cliente chega às 12:05;
- Cliente inicia o atendimento às 12:25;
- Cliente sai da loja às 12:56; 
Então temos:
- Lead Time da espera = 20 minutos
- Lead Time do atendimento = 31 minutos
- Lead Time total = 51 minutos.

Essa visão ajuda a identificar exatamente onde estão os maiores desperdícios de tempo.

Como melhorar o Lead Time

Depois de medir o processo, o próximo passo é entender por que ele demora tanto.

Na maioria das vezes, o problema não está na execução da atividade, mas sim no tempo em que ela permanece parada aguardando alguma ação.

É comum encontrar processos em que uma tarefa leva apenas duas horas para ser executada, mas permanece vários dias aguardando aprovação, materiais ou disponibilidade de recursos.

Por isso, reduzir o Lead Time normalmente significa:

eliminar esperas desnecessárias;
reduzir aprovações que não agregam valor;
diminuir filas entre processos;
melhorar o fluxo das informações;
eliminar gargalos

Quanto menor o tempo de execução de um processo, maior será a capacidade de entrega utilizando os mesmos recursos.

Como o Lead Time influencia o OEE

Embora sejam indicadores diferentes, o Lead Time possui forte relação com o OEE, principalmente na perspectiva da Disponibilidade.

Alguns exemplos são:

Redução do tempo médio de reparo (MTTR), permitindo que os equipamentos retornem mais rapidamente à operação;
Redução do tempo de sanitização e de setup, aumentando a disponibilidade dos equipamentos para produção e maior flexibilidade.

Em outras palavras, reduzir o Lead Time de atividades que interrompem a produção contribui diretamente para melhorar a disponibilidade dos equipamentos.

Conclusão

O Lead Time vai muito além do prazo de entrega de um produto.

Ele é um indicador capaz de medir o tempo necessário para executar qualquer processo e, justamente por isso, pode ser aplicado em praticamente todas as áreas de uma empresa.

Sempre que um processo demora mais do que deveria, o Lead Time ajuda a identificar onde estão os gargalos e direciona os esforços de melhoria para os pontos que realmente fazem diferença.

Afinal, melhorar um processo não significa apenas fazer as atividades mais rápido, mas também eliminar o tempo em que nada está acontecendo


O que vem no próximo artigo?

No próximo artigo vamos falar sobre dois indicadores fundamentais para a gestão de manutenção: MTTR e MTBF.

Vamos entender como eles são calculados, como se relacionam com o Lead Time e de que forma ajudam a aumentar a disponibilidade dos equipamentos e a confiabilidade dos processos.

Até lá!👋

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