O custo da ineficiência - Como pequenas perdas operacionais afetam a rentabilidade do negócio.
Você já se perguntou por que algumas empresas
possuem produtos excelentes, clientes satisfeitos e processos eficientes, mesmo
assim encerram suas atividades ou acabam sendo vendidas?
A resposta nem sempre está nas vendas ou na
qualidade. Muitas vezes, está na gestão dos custos.
É comum que as empresas concentrem seus
esforços em melhorar a produtividade, reduzir o tempo de produção e aumentar a
qualidade. Tudo isso é importante. Porém, se essas melhorias não forem
acompanhadas por uma boa gestão dos custos, a operação pode continuar pouco
rentável.
Neste artigo vamos mostrar como baixo desempenho
e qualidade, impactam diretamente os custos do negócio, além de apresentar
outros indicadores importantes para avaliar a saúde financeira dos processos.
Quando o desempenho começa a custar dinheiro
Quando um processo apresenta baixo desempenho,
normalmente pensamos em atrasos, perda de produtividade ou dificuldade em
cumprir o plano de produção. Porém, existe uma consequência que nem sempre é
percebida: o impacto financeiro.
Relacionar desempenho com custo nem sempre é
simples, pois diferentes causas geram impactos financeiros distintos. Para
entender essa relação, primeiro precisamos conhecer um conceito importante: o
custo unitário de produção.
Custo Unitário de Produção: para calcular o custo da ineficiência,
primeiro precisamos conhecer o custo unitário de produção. Dependendo do
objetivo da análise, podemos considerar apenas os custos variáveis
(matéria-prima, energia, embalagens etc.) ou incluir também custos fixos rateados,
como mão de obra e depreciação dos equipamentos.
Exemplo: Imagine
uma cafeteria que vende café em copo de papel. Para produzir um café são
utilizados água, pó de café, embalagem e energia elétrica.
Isso significa que, sempre que um café
precisar ser descartado por erro de preparo, esse valor será perdido. Quanto
maior o volume de desperdícios, maior será o impacto financeiro ao longo do
tempo.
Agora vamos entrar com mais detalhe nas possíveis origens de baixo desempenho e como calcular o custo:
Qualidade: baixo desempenho pode estar relacionado a produtos não conformes, isso é o processo produziu, porém, esse produto não pode ser usado ou demanda retrabalho, dessa forma são duas formas de calcular custo.
Descarte - para calcular o custo dos produtos
descartado devemos levantar a quantidade de produto que será descartado e o custo
unitário da produção.
Exemplo: foram
identificados 200 produtos que não atendem os critérios de qualidade e não tem
como retrabalhar levando em conta que o custo unitário de cada produto é R$
2,50.
Custo Descarte
= 200 x 2,50 = R$ 500,00.
Retrabalho - para calcular o custo dos retrabalhos temos
que levantar a quantidade de material que será usado durante o retrabalho, mão
de obra caso essa atividade seja realizada por uma equipe terceira ou em hora
extra.
Exemplo: serão retrabalhadas
500 unidades que foram codificados de maneira errada, para essa atividade é utilizado
cinco pessoas em hora extra, removedor e tinta de codificação.
Custo Retrabalho
= Hora Extra + Custo Removedor + Custo Tinta.
Paradas: Nem toda
perda operacional gera um custo imediato. Porém, quando essas perdas se
acumulam, elas acabam se transformando em custos reais para a empresa, seja por
horas extras, atrasos, investimentos adicionais ou perda de clientes.
Por isso analisar pontualmente cada parada
fica mais difícil pois de imediato ela pode não gerar impacto em custo, mas no
acumulado do tempo sim. Os impactos que podemos ter são.
Manutenção - gastos com peças e mão de obra externa que
não estavam previstas no plano de manutenção do processo. Normalmente essa análise
é realizada no final de cada mês compilado o total de intervenções realizadas
em paradas não planejada, custo dos componentes trocados e se teve necessidade de
trazer mão de obra externa.
Não Atendimento ao Cliente – Isso acontece
quando o baixo desempenho acaba gerando o não atendimento ou atraso no
atendimento de pedido, pois o produto não ficou pronto dentro do planejado,
nesse caso devemos contabilizar o valor da venda que perdemos ou multas paga
por atraso, mas muitas vezes o custo pode ser maior pois clientes podem deixar
de comprar novamente.
Baixa performance pode gerar impactos
significativos para os custos da empresa, mas além disso pode gerar um impacto
na imagem da empresa quando eles começam a afetar a qualidade da entrega e isso
é muito mais difícil de mensurar e reverter.
O custo da má qualidade
Quando você compra ou consume um produto ruim
o que você faz?
No artigo sobre indicadores de qualidade vimos
como medir defeitos. Agora vamos observar o mesmo problema sob outra
perspectiva: quanto esses defeitos realmente custam para a empresa.
Quando um produto defeituoso chega ao
consumidor, o prejuízo vai além do custo de produção. A empresa pode precisar
arcar com devoluções, trocas, logística reversa, atendimento ao cliente e,
principalmente, com a perda de confiança do mercado. Em muitos casos, esse
impacto na reputação é o prejuízo mais difícil de recuperar.
Desperdício
Desperdícios dentro da cultura Lean são os principais
vilões de um processo e tem um impacto direto em custo.
Um conceito que precisamos deixar claro é que comprar
matéria-prima para fabricar um produto é um custo necessário, já perder essa
matéria-prima por erro de processo é desperdício. Abaixo uma explicação de
perdas e como afetam custo da empresa.
Perda de Matéria Prima - isso acontece quando consumimos mais de um material que o necessário descrito
na lista técnica do produto.
Exemplo: imagina
que para fazer um produto precisamos usar 200 gr de um material se al invés disso
colocarmos 202 gr temos uma perda de 2 gr, mesmo que esse produto venha ser
vendido, se olharmos a cada 100 produtos que fazemos perdemos 200 gr que
poderiam ser utilizadas na produção de outro produto.
Perda de Inventário - isso acontece quando no sistema consta que
temos produto, mas fisicamente eles não existem, isso pode acontecer por um
descontrole, o produto foi vendido ou consumido, mas não foi dado baixa no
sistema, pode ter relação a consumo inadequado por consumar mais do que o necessário
e não ajustar no sistema, mas também pode ter a relação com desvio indevido de
material.
Enquanto o custo é inevitável para produzir
valor, o desperdício representa recursos consumidos sem gerar valor para o
cliente. O objetivo da melhoria contínua não é eliminar custos necessários, mas
reduzir ou eliminar desperdícios.
Custo Invisível: são custos difíceis de identificar nas análises financeiras
tradicionais, mas reduzem significativamente a rentabilidade do negócio, alguns
exemplos são: horas gastas procurando materiais, reuniões, excesso de estoque, retrabalho
administrativo, atrasos. Esses custos estão muito atrelado aos desperdícios do Lean
que serão tratados posteriormente em um outro artigo.
Custo fixo e variado
De forma geral, os custos podem ser
classificados em fixos ou variáveis.
|
Custos Fixos |
Custos Variáveis |
|
Salários |
Matéria-prima |
|
Aluguel |
Embalagens |
|
Depreciação |
Energia de produção |
|
Contratos |
Água |
|
Licenças |
Horas extras |
Observação: alguns custos eles podem ter uma parte fixa e variável, são contratos
de serviço que preveem um valor fixo mensal e depois uma variável quando sua
utilização ultrapassa um limite ou toda vez que é utilizado
Custo x Desempenho x Qualidade
A principal razão de trabalharmos com essas três
visões de indicadores quando avaliamos um processo é que elas se complementam,
um processo se torna rentável e longevo quando os três estão em equilíbrio.
Abaixo exemplo do que acontecem com processos
desequilibrados.
|
Custo |
Desempenho |
Qualidade |
Consequência |
|
✅ |
✅ |
❌ |
Reclamações, perda de clientes |
|
✅ |
❌ |
✅ |
Atrasos e baixa capacidade |
|
❌ |
✅ |
✅ |
Processo eficiente, porém, pouco lucrativo |
|
✅ |
✅ |
✅ |
Processo sustentável |
|
❌ |
❌ |
❌ |
Processo insustentável |
Conclusão.
No fim, nenhum indicador conta toda a história
sozinho.
A verdadeira gestão acontece quando
conseguimos conectar desempenho, qualidade e custos para entender como cada
decisão impacta os resultados do negócio.
Empresas sustentáveis não são aquelas que
apenas produzem mais ou entregam produtos melhores. São aquelas que conseguem
fazer isso de forma eficiente, rentável e consistente ao longo do tempo.
O que vem no próximo artigo?
Até agora falamos sobre como medir o
desempenho dos processos. Mas medir é apenas o primeiro passo.
A partir do próximo artigo vamos começar a
discutir como melhorar os resultados.
O primeiro tema dessa nova etapa será um dos
pilares do Lean: os desperdícios. Vamos
entender quais são, como afetam o desempenho dos processos, sua relação com os
indicadores e por que eliminá-los é uma das formas mais eficazes de aumentar a
produtividade e reduzir custos.
Também vamos falar sobre como a tecnologia e a
inteligência artificial muitas vezes são apresentadas como a solução para
eliminar desperdícios, quando aplicadas em processos desorganizados ou
instáveis elas podem acabar aumentando os problemas em vez de resolvê-los.
Até lá!👋

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